Archive for the ‘Contos’ Category

Eric olhou para o mar, esperando ouvir aquela doce voz. O vento uivava, e era a único som que ecoava pelo ar.

Suspirou.

“Talvez”, ele pensou “tudo não passou de um sonho”. Não, ele tinha certeza de que alguém, não um alguém qualquer, mas uma linda jovem, havia salvado sua vida. Começou a assobiar as notas que se lembrava, na esperança de obter resposta.

Riu para si mesmo. “Como sou tolo”, e virou-se para voltar ao castelo, mas parou abruptamente.

Seus ouvidos o enganavam? Poderia ser apenas sua mente se lembrando daquela melodiosa voz.

Não. Ela estava ali, em algum lugar, chamando por ele.

-Olá? – ele gritou, seguindo o som.

Alcançou um conjunto de rochas grandes e encurvadas. Formavam arcos disformes e de tamanhos variados, uma visão ao mesmo tempo majestosa e macabra. A melodia vinha dali. Inclinou-se para frente, tentando ver melhor naquela escuridão. As estrelas e a lua estavam encobertas por densas nuvens.

De repente, um vulto surgiu debaixo de um dos arcos. Uma silhueta esbelta, de longos cabelos que voavam com o gentil vento gélido. Um longo vestido cobria-lhe o corpo e realçava suas curvas.

Eric sorriu. Então ela realmente existia. E estava ali.

Correu ao encontro da jovem, que havia parado de cantar e esperava por ele.

Ao chegar mais perto, Eric diminuiu a velocidade e olhou uma segunda vez para aquela figura escondida pelas sombras.

-Você…você é a jovem que me salvou aquele dia? – não obteve resposta – No dia do naufrágio?

-Oh, Eric, não me reconhece?

Era a voz, não havia dúvidas, mas…por que sentia um constante calafrio percorrer sua espinha? Havia algo errado.

-Eu…eu gostaria de agradecer. Se não fosse por você não estaria aqui hoje. – ele falava sem tirar os olhos da mulher.

-Não há o que agradecer – ela se aproximou – fiz apenas o que achei ser o correto. E seria um desperdício um príncipe tão belo e tão jovem desaparecer no oceano.

Não conseguia relaxar. Algo lhe dizia para ficar atento.

A jovem o abraçou.

Eric podia vê-la melhor agora. A primeira coisa que notou foram seus cabelos negros. Aquilo o deixou intrigado. Não eram escuros como o céu noturno, eram vermelhos. Mas podia estar enganado. Quando a viu pela primeira vez estava tonto.

As nuvens no céu moveram-se, deixando a pálida luz da lua banhar a praia. Pouco a pouco ela iluminava a areia. Pouco a pouco revelava o que estava escondido na escuridão. Pouco a pouco…

Havia algo ali. Algo que contrastava de longe com a brancura da luz e do solo. O príncipe arregalou os olhos ao ver, e tentou se livrar dos braços que o envolviam – e só nesse momento percebeu que o estavam esmagando. Mas era tarde demais.

Sentiu uma dor lancinante. Olhou para baixo e viu uma adaga fincada em seu peito. Sua visão ficou turva, seu corpo, gelado. Caiu de joelhos. Tentou olhar mais uma vez para o que havia chamado sua atenção outrora, mas nada viu. Eric deu seu último suspiro e desabou na areia.

Retirando a adaga do corpo do príncipe, Ursula virou-se. Sorriu, deliciando-se com o sangue que escorria da lâmina.

-Príncipe tolo. Como todos os outros. Seduzidos por uma doce voz e um belo corpo.

A bruxa pegou o cadáver do chão com um de seus tentáculos e seguiu em direção ao mar, olhando mais uma vez para trás, para o corpo sem vida de Ariel estirado na areia, antes de desaparecer nas profundezas.

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Kiss

Posted: 2012.Novembro.6. in Love
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You came wearing a coat and a scarf that covered your mouth and nose. You hugged me tight and looked at me.

After a while there I asked blushing “You’re not gonna give me a kiss?”.

You smiled sadly “Sorry…I’m sick.”

When you turned around I quickly held your hand and you looked back.

“Awn…don’t make that face. There’s no way to resist that…”, you said playful.

Then you pulled me closer, uncovered your mouth and gave me a kiss. A long and passionate kiss.

“Don’t blame me if you get sick, you know.”, you hugged me.

“It’s worth it!”

So you held my hand and we went walking down the street, talking about our day.

Waltz With Me

Posted: 2012.Outubro.2. in Love
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The Anual Masquerade. That’s where I was standing. I really don’t know why, though. Didn’t wanna go, but my friends insisted so much I accepted just to make them shut up…dancing is not my thing. It was my first masquerade and I once more questioned myself why I was there.

The ball itself hadn’t started. We were talking about our childhood memories, laughing a lot. Well, I cannot say I didn’t enjoy that, but I wished I was somewhere else…with somebody else. I sighed and looked away from our group. Something caught my eyes as I gazed through the room. Coming down the stairway, I saw him.

So perfectly stunning, with that smile I always loved to see brighting up the room. Every step he took made my heart beat faster. Closer and closer, now I could see his beautiful eyes under the mask. Those hypnotizing eyes to which I could stare into for days.

“…ki? Aoki!”, I heard Kazu call me.

“Sorry, I got a little distracted.”

When I looked again, he was gone into the crowd. I felt sad. I wanted him to look at me. Not that it would make any difference. Not that it would make him notice me, but I guess I would feel…better?

So the music started, everybody paired up. Well, everyone but me. Guess it wasn’t a good idea going to a ball without a date. Why should I care? I don’t even like dancing…And as I kept drifting in my thoughts I saw something unexpected. He was standing in a corner…alone. I should have gone talk to him, but my shyness and insecurity wouldn’t let me. Why were he alone? I couldn’t stop asking me that. I was sure he had many invitations…still, he was there.

Smiling…

Just to see his smile I felt kinda happy, you know? I didn’t realize, but I was smiling, too. It didn’t last, though. Coming out of I don’t know where, Tsubasa were already by his side, talking to him, making him laugh. I should be the one doing that. That was my smile…

Don’t know what got into me, but I just stood up and ran out to the garden, desperate, almost crying. What was going on? What was I thinking? Mine? What was my relationship with him? None. That was all. And why was I crying? I was confused, overwhelmed.

I stopped and looked around. Somehow I ran straight to the middle of the hedge maze. I sat down on the bench, with swollen eyes and trembling hands. I still wasn’t sure of what was going on in my head.

“You okay?”

I looked to the grass arch. He was smiling at me, lit by the silver rays of moonlight.

“…yeah…”, I lied.

“Are you sure? I saw when you left running.”, he approached and sat down beside me.

“Why are you here?”, I asked after I nodded “I thought you and Tsubasa…”

“You came here alone, didn’t you? To the ball.”, he ignored my question.

“Yeah, I did…not that it matters. What about you? I didn’t see you with a date.”

He smiled playfully “Well…I didn’t get the invitation I was expecting, so I decided to come here to at least try to dance with that person.”

“So, why aren’t you there? Looking for this person you came here for? Why are you here with me?”, I felt my words come out with a little bit of anger.

This time he laughed. I didn’t understand why, but his laugh was just good to hear. “You’re cute, you know?”, he said after he stopped.

“C…what?”

He stood up and reached out his hand to me. “Do you give me the honor of a dance?”

I felt my face burn, it should be red, so I tried to hide it away. I couldn’t breathe…what was going on? Did he really just asked ME to dance with him? No words would come out of my mouth, but he stood there, smiling. I couldn’t resist that. Slowly, I took his hand and he walked me to the middle of the place.

“But there’s no music.”, I said.

He took off my mask, kissed me on the forehead and held my head against his chest. “Our heartbeat. This should be enough.”

It sounded kinda weird, but at the same time I felt comfortable, like there was nothing to worry about. In that moment, there was just the two of us, there, dancing to that beautiful music, and that was all that mattered. I felt happy. Happier like never before in my life.

That was my first waltz, and the one I would never forget.

Playful Morning

Posted: 2012.Junho.28. in Contos, Love
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O sol da manhã invadiu o quarto, iluminando a mesa cheia de papéis e o notebook ainda ligado, as roupas espalhadas pelo chão e o despertador, que gritava impiedosamente. Desliguei-o rapidamente, abri os olhos e, enquanto me acostumava com a claridade, virei-me, escapando da luz que me cegava.

Sorri ao ver que dormia tranquilamente ao meu lado. Fiquei um tempo admirando seu rosto, tão perfeitamente belo. Mesmo depois de tanto tempo juntos, ainda não acreditava em como tinha sorte de ter alguém como você em minha vida. Apoiei-me em um braço, aproximei-me e dei-lhe um beijo no rosto. Você se mexeu, fazendo seus típicos resmungos matutinos. Adorava ouvi-los.

Lentamente, abriu os olhos. “Bom dia”, você disse, ainda se acostumando à luminosidade e deixando escapar um bocejo.

Meus lábios encontraram os seus por breves, mas estonteantes segundos.

“Bom dia”, eu respondi.

Coloquei meus braços ao seu redor. Você segurou minha mão, dando-lhe mordidas brincalhonas, como sempre fizera. Abracei-lhe mais forte para impedir que fugisse do meu ataque de cócegas, mas o feitiço virou contra o feiticeiro e quem acabou sendo surpreendido fui eu.

Você sorriu divertidamente. Golpe baixo. Nada ganhava daquele sorriso.

“Precisamos levantar…”, você disse depois de me dar um beijo.

“É?”, respondi, abraçando-lhe novamente.

“Hm…acho que podemos ficar aqui por mais um tempo”, você riu, aconchegando-se em meus braços.

Sorri de volta. Ficamos ali, abraçados, conversando, brincando, até adormecermos novamente.

Estávamos presos naquela escura e fria caverna. Talvez aquela viagem não tivesse sido uma boa ideia, no fim…

Você se sentou na areia, abraçando os joelhos, tremendo de frio – ou medo, talvez. A chuva aumentava a cada minuto, não dando sinais de que iria para tão cedo.

“Parece que vamos ficar aqui por um tempo…”, eu disse, tentando quebrar o silêncio que existia entre nós. Como não obtive resposta, continuei “Mas poderia ser pior, não é? Você poderia estar aqui com o Shima-kun.”, brinquei.

Você riu, e isso me acalmou um pouco.

Sentei-me ao seu lado e segurei sua mão, gelada e trêmula, tentando esquenta-la. Não que fosse adiantar muita coisa, já que as minhas também estavam frias.

Sem pensar muito, coloquei meus braços ao seu redor, para que nos mantivessemos um pouco mais aquecidos, e quando você recostou sua cabeça no meu ombro, sem perceber, um sorriso se desenhou em meu rosto. Você se aproximou um pouco mais e suspirou.

“Confortável?”, falei, novamente sem pensar.

“Muito.”, respondeu depois de rir timidamente.

Depois de um tempo, percebi que você adormeceu. Fiquei um tempo olhando seu rosto, e pensei que se você acordasse naquele momento iria achar aquilo muito estranho. Então desviei o olhar, mas logo voltei ao ponto de partida. Havia algo em você que me atraía de uma forma inexplicável. Não apenas sua aparência, mas o modo como falava, como via o mundo, como interagia com as pessoas…tudo em você era misteriosamente apaixonante…

Aquela era a primeira vez que estava tão perto de você. Não queria que acabasse. Queria ficar ali, naquele abraço, para sempre, mesmo que isso significasse ficar preso ali. Pensei isso, mas percebi o quão egoísta e idiota aquilo soava.

Eu estava feliz. De verdade. Não por estar preso em uma caverna no meio de sei-lá-onde, com frio e cansado (não tem como ficar feliz com isso), mas por estar preso em uma caverna no meio de sei-lá-onde com você. Eu sabia que depois que saíssemos dali, tudo voltaria ao normal, por isso queria aproveitar aquele momento.

Acabei adormecendo, e só acordei quando a luz do sol atingiu meu rosto, ofuscando minha visão quando tentei abrir os olhos. Olhei para o lado, esquivando-me daquela armadilha e não pude deixar de sorrir ao ver você, ainda dormindo.

Por algum motivo, dei-lhe um beijo na bochecha. Aparentemente, meu cérebro achou que isso seria muito interessante. Você se mexeu, abriu os olhos lentamente e se endireitou. Tentei agir como se nada tivesse acontecido, e não sei se você resolveu fazer o mesmo, mas apenas sorriu e apontou para fora.

“Parece que já podemos voltar!”, exclamou, se levantando.

Como eu imaginava. No momento em que a tempestade fosse embora, levaria consigo aquele momento…

Caminhamos para fora. O sol iluminava a areia dourada, as ondas quebravam gentilmente na praia, as nuvens pareciam dançar no céu azul. Voltamos para a pousada e fomos recebidos pelos nossos amigos com uma mistura de alegria e preocupação, e levamos uma bronca da Nana-san.

“Vocês sabem o quão preocupada eu fiquei? Vocês poderiam ter se machucado! Ou morrido! Vocês não podem sair correndo desse jeito! Nunca mais façam algo tão irresponsável!!! Prometam!!!”

Passamos nosso último dia da viagem presos naquela caverna. Se eu estivesse com qualquer outra pessoa, diria que foi um desperdício.

Voltamos para o quarto para arrumarmos as malas. Quando terminei, sentei-me na beirada da janela, sentindo o vento bagunçar meus cabelos e o sol esquentar minhas mãos.

“Yo!”, ouvi alguém chamar, e quase cai para frente quando senti cócegas.

Você me olhava rindo.

“Se eu tivesse caído a culpa seria toda sua!”, brinquei, já que estávamos no primeiro andar da casa.

“Me desculpa!”, você retribuiu a brincadeira e se sentou do meu lado “Apesar de tudo que aconteceu, me diverti muito nessa viagem!”

Apenas sorri e concordei com a cabeça.

“Ne…aquela tempestade nos pegou desprevenidos. Se eu soubesse que ela viria, não teria corrido.”

Senti uma pontada no peito. Não sei porque criei expectativas. Era óbvio que você não tinha gostado de ficar naquele lugar…

“Arigatou!”

Fiquei em silêncio, porque não sabia sobre o que você falava. Parece que você entendeu minha expressão de dúvida.

“Por ter me acalmado e não me deixado morrer.”, você riu.

“Ah…fiz o que tinha de fazer ne. Só estou feliz que você esteja bem.”

Ficamos em silêncio.

“Se…”, você quebrou o silêncio “…eu tivesse que passar por aquilo de novo, não mudaria nada.”

Eu ri, mas depois pensei melhor no que você havia dito.

“O que você…”, comecei, mas parei quando, repentinamente, você me deu um beijo na bochecha.

“Ei! Peguem suas coisas! Vamos partir daqui a pouco!”, Nana chamava ao longe.

“Agora estamos quites!”, você disse rindo enquanto corria para a frente da casa.

Eu estava paralisado. Não só pelo beijo, mas também pelas suas últimas palavras. Fui invadido por uma felicidade sem tamanho e comecei a sorrir.

“Não vou chamar de novo! Se eu tiver que ir até aí, você morre!”

Olhei mais uma vez para o céu azul antes de correr para o carro com um sorriso bobo estampado no rosto.

Aquele foi o começo de algo que mudaria minha vida completamente…

Nightmare – Death

Posted: 2012.Junho.15. in Contos
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Olhou ao redor. Estava no mesmo escuro corredor da outra noite, mas dessa vez, ao invés de quadros macabros, as paredes estavam cobertas de bolhas, que se balançavam de modo grotesco.

Precisava se encontrar com seus amigos o mais rápido possível. Se estivesse certa, conseguiriam escapar daquele lugar sem problemas. Cautelosamente, avançou.

Tentava não prestar atenção nos gritos que ecoavam por todos os lados, mas não havia como. Começou a correr, passando por vários corredores onde estranhas criaturas começavam a se materializar.

Parou, ofegante. Os gritos já não podiam mais ser ouvidos.

“Me…ajude…”

“Nami?”, ela chamou, correndo na direção da voz “Nami!”

Abriu uma porta de metal e encontrou a garota, imóvel no centro da sala, seus olhos expressavam um terror que Aya nunca tinha visto antes.

“O que…”

“Me…ajude…”

Aya começou a caminhar em direção à amiga, mas parou ao sentir uma dor profunda na perna. Sangue escorria de um corte. Como isso acontecera? A jovem olhou para o local com mais atenção e percebeu que haviam fios, praticamente transparentes e extremamente cortantes, por toda a sala. Nami estava presa em uma armadilha.

“Aya…”, ela começou a chorar “Por favor…”

Um desespero sem tamanho tomou conta da garota. Precisava salvar a amiga.

Antes que pudesse fazer qualquer coisa, ouviu um pequeno estalo e, de repente, todos os fios se esticaram e torceram entre si. As paredes e o chão foram manchados de vermelho.

Aya ficou paralisada, seus olhos não conseguiam acreditar no que havia acontecido. Um sino começou a tocar e todo o local foi tomado pelas sombras.

“NAMIIIII!!!!!”

Ofegante e suando frio, Aya se levantou bruscamente e, ignorando a dor que sentia na perna, saiu para o corredor. Quando chegou no quarto de Nami, a porta estava trancada.

“Aya, você está bem!”, ouviu Yuzuki se aproximar.

“Por favor, me ajuda a abrir a porta!!!”

“O que…”

“A Nami pode estar…”, Aya não conseguiu terminar a frase.

Sem hesitar, Yuzuki chutou a porta, que se abriu violentamente. Correram para dentro do aposento.

Aya abafou um grito com as mãos e caiu para trás, chorando.

“Não…Nami…por que…”, Yuzuki caiu de joelhos, não conseguindo acreditar no que via.

Estava mais do que claro para eles que precisavam escapar daquele lugar, mas…como? Mais uma noite e poderiam ser as próximas vítimas. O sol começara a surgir no horizonte, mas nem isso conseguiu renovar as  esperanças dos dois…

Nightmare

Posted: 2012.Fevereiro.9. in Contos
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Seus olhos assustados percorreram as escuras paredes a sua frente. Quadros macabros retratando sacrifícios e assassinatos estavam pendurados de modo perturbador. Olhou ao redor. Tudo o que via era trevas. Estava sentada em sua pequena ilha de luz, criada por uma única vela acima de sua cabeça.

Se tudo aquilo era um sonho, queria acordar o mais rápido possível.

Ouviu passos. Levantou-se e caminhou na direção do som. Outras velas se acenderam, revelando um extenso corredor. Não havia portas ou janelas, apenas mais quadros, todos retratando o mesmo tema dos primeiros.

Será que aquele era o destino de todos os que entravam ali? Sentiu um calafrio. Não queria morrer naquele lugar…

Começou a caminhar, lentamente, pelo corredor. Poderia haver uma saída do outro lado. Caso não houvesse, poderia encontrar alguém, pensou. Mas suas esperanças foram diminuindo a cada passo que dava em direção ao desconhecido.

Quanto tempo já havia se passado? Minutos? Horas? Dias, talvez.

De repente, sentiu algo segurar seu tornozelo. Assim que olhou para trás, tentou gritar, mas nenhum som saiu de sua boca. Mãos disformes, cheias de pequenos buracos, impediam-na de se mover. A cada instante, sentia seus ossos serem comprimidos. Caiu no chão, seus olhos cheios de lágrimas. Num movimento desesperado, chutou-as com toda sua força e conseguiu se libertar daquela armadilha.

Antes que pudesse correr, surgiram braços, tão grotescos quanto as mãos, que se ligaram a elas. Um corpo começou a emergir das sombras, que agora cobriam boa parte do corredor já percorrido. Cicatrizes eram o que menos apavoraram a jovem. Por todo o corpo da criatura, pequenos rostos deformados pareciam gritar por socorro. Por fim, a cabeça se materializou. Nada além de cortes e uma boca cheia de dentes afiados e manchados de vermelho.

Com dificuldade, ela se levantou, tentando ao máximo não gritar. Virou-se e, mancando, recomeçou a avançar pelo corredor. Tentou andar mais rápido ao ouvir os passos da monstruosidade que a seguia, mas era inútil.

Mesmo sem olhar para trás, sabia que “aquilo” estava cada vez mais perto, rastejando, contorcendo-se, rugindo. Manchas de sangue começaram a colorir as paredes e o piso.

Um segundo de distração foi o bastante para ela sentir uma dor insuportável e cair no chão, chorando, não só por causa do tornozelo machucado, mas também por causa do medo.

Olhou para trás. O corredor parecia girar, contrair e expandir. Assim que ouviu o rugido da criatura, fechou os olhos e sentiu o hálito quente e fétido dela em seu rosto, que começava a derreter. Gritou o mais alto que pôde.

Reabriu os olhos. Tocou a face. Nada havia mudado. Estava deitada em sua cama, ofegante e suando frio. Então, tudo não passara de um pesadelo. Ela respirou aliviada.

O sol estava surgindo no horizonte, e seus raios iluminaram o pequeno sorriso que crescia nos lábios da jovem. Jogou o cobertor para o lado e virou-se para descer da cama. Assim que colocou o pé direito no chão, sentiu uma pontada de dor. Olhou para baixo e ficou paralisada. Hematomas de um roxo profundo cobriam seu tornozelo.

Aquele medo que sentira no “sonho” voltou a atingi-la violentamente.

O que quer que estivesse acontecendo naquele lugar, não era normal. Precisavam sair de lá o mais rápido possível.