Arquivo de Fevereiro, 2012

Nightmare

Posted: 2012.Fevereiro.9. in Contos
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Seus olhos assustados percorreram as escuras paredes a sua frente. Quadros macabros retratando sacrifícios e assassinatos estavam pendurados de modo perturbador. Olhou ao redor. Tudo o que via era trevas. Estava sentada em sua pequena ilha de luz, criada por uma única vela acima de sua cabeça.

Se tudo aquilo era um sonho, queria acordar o mais rápido possível.

Ouviu passos. Levantou-se e caminhou na direção do som. Outras velas se acenderam, revelando um extenso corredor. Não havia portas ou janelas, apenas mais quadros, todos retratando o mesmo tema dos primeiros.

Será que aquele era o destino de todos os que entravam ali? Sentiu um calafrio. Não queria morrer naquele lugar…

Começou a caminhar, lentamente, pelo corredor. Poderia haver uma saída do outro lado. Caso não houvesse, poderia encontrar alguém, pensou. Mas suas esperanças foram diminuindo a cada passo que dava em direção ao desconhecido.

Quanto tempo já havia se passado? Minutos? Horas? Dias, talvez.

De repente, sentiu algo segurar seu tornozelo. Assim que olhou para trás, tentou gritar, mas nenhum som saiu de sua boca. Mãos disformes, cheias de pequenos buracos, impediam-na de se mover. A cada instante, sentia seus ossos serem comprimidos. Caiu no chão, seus olhos cheios de lágrimas. Num movimento desesperado, chutou-as com toda sua força e conseguiu se libertar daquela armadilha.

Antes que pudesse correr, surgiram braços, tão grotescos quanto as mãos, que se ligaram a elas. Um corpo começou a emergir das sombras, que agora cobriam boa parte do corredor já percorrido. Cicatrizes eram o que menos apavoraram a jovem. Por todo o corpo da criatura, pequenos rostos deformados pareciam gritar por socorro. Por fim, a cabeça se materializou. Nada além de cortes e uma boca cheia de dentes afiados e manchados de vermelho.

Com dificuldade, ela se levantou, tentando ao máximo não gritar. Virou-se e, mancando, recomeçou a avançar pelo corredor. Tentou andar mais rápido ao ouvir os passos da monstruosidade que a seguia, mas era inútil.

Mesmo sem olhar para trás, sabia que “aquilo” estava cada vez mais perto, rastejando, contorcendo-se, rugindo. Manchas de sangue começaram a colorir as paredes e o piso.

Um segundo de distração foi o bastante para ela sentir uma dor insuportável e cair no chão, chorando, não só por causa do tornozelo machucado, mas também por causa do medo.

Olhou para trás. O corredor parecia girar, contrair e expandir. Assim que ouviu o rugido da criatura, fechou os olhos e sentiu o hálito quente e fétido dela em seu rosto, que começava a derreter. Gritou o mais alto que pôde.

Reabriu os olhos. Tocou a face. Nada havia mudado. Estava deitada em sua cama, ofegante e suando frio. Então, tudo não passara de um pesadelo. Ela respirou aliviada.

O sol estava surgindo no horizonte, e seus raios iluminaram o pequeno sorriso que crescia nos lábios da jovem. Jogou o cobertor para o lado e virou-se para descer da cama. Assim que colocou o pé direito no chão, sentiu uma pontada de dor. Olhou para baixo e ficou paralisada. Hematomas de um roxo profundo cobriam seu tornozelo.

Aquele medo que sentira no “sonho” voltou a atingi-la violentamente.

O que quer que estivesse acontecendo naquele lugar, não era normal. Precisavam sair de lá o mais rápido possível.