Arquivo de Setembro, 2011

Devil’s Bride – part 3

Posted: 2011.Setembro.10. in Devil's Bride
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Pouco depois das nove da noite, o clube de investigação sobrenatural estava mais uma vez reunido para sua reunião semanal no ginásio. Enquanto Hiroshi lia a nova edição do Kamikaze’s Supernatural News, os outros membros brincavam de queimada.

-Minna!!! Olhem só o que eu… – chamou Hiroshi antes de ser atingido brutalmente pela bola.

-Gomen, líder!!! – desculpou-se Yumi – Não queria ter te acertado!!!

-Mas mirou nele por que, então?

-Cala a boca, Kai!

Depois de reviverem Hiroshi, ele mostrou ao grupo algo que interessou a todos.

-O quê? Então é real? – gritou Hikari espantada e feliz.

-É o que diz aqui: “Espírito maligno faz duas novas vítimas” – Yumi começou a ler – “Segundo testemunhas, duas estudantes do segundo ano do colegial foram surpreendidas na noite passada. Tudo o que elas conseguiam dizer era ‘Espírito maligno ikemen’, o que, sinceramente, não fez nenhum sentido para nós.”, nem pra mim…

-Eu já tinha ouvido falar dele, mas não achava que era real!!! – disse Hikari um pouco histérica.

-Agora se interessou mais pelo clube, hein? Ou será que também espera ser atacada pelo espírito ikemen? – zombou Hiroshi.

-Diga o que quiser. Eu irei conseguir uma foto dele, custe o que custar!

-Pode contar conosco, Hika-chan! – disseram Sora e Yumi juntos.

Kai apenas sorriu e concordou com aceno. Hikari sorriu.

-Então, vamos iniciar a busca pelos grandes mistérios do colégio de hoje? – disse, já saindo pela porta sacudindo uma lanterna.

-Ei, essa frase é minha! E ainda falou errado! (Se bem que ficou mais legal, mas…) É “vamos iniciar a ronda sobrenatural de hoje”!!! E quem te deu permissão pra tomar a liderança? Ei, tá me ouvindo?

Hikari estava cansada de procurar. Já havia caminhado por algum tempo e não encontrou nada. Sentou-se em um banco e olhou em volta. Estava próxima da estufa do clube de jardinagem. Sempre teve curiosidade de saber como era por dentro, mas estava sempre fechada. Era noite, então, provavelmente, não conseguiria entrar mais uma vez. Mesmo assim, aproximou-se e tentou abrir a porta. Antes que pudesse tocar a maçaneta, ouviu um som alto vindo de dentro, como um vaso caindo e se quebrando.

Afastou-se assustada e ficou um tempo encarando o vidro. Tudo o que conseguia ver era seu reflexo. Deu um passo para frente, ainda encarando sua imagem. De repente, uma mão atravessou o vidro, estilhaçando-o em milhares de pedaços. Hikari caiu para trás, protegendo o rosto.

A jovem olhou para a figura que saía da escuridão. Cabelos prateados, olhos reluzindo um vermelho profundo, roupas negras como a mais escura das noites.

Um grito ecoou pelo ar. No instante seguinte, Hikari estava correndo, não sabia mais para onde. Lágrimas embaçavam sua visão. Estava com medo? Limpou-as na  manga da blusa e parou.

-O que foi aquilo? – sussurrou para si mesma.

-Hikari! – ouviu, e uma mão pousou sobre seu ombro.

Em um ataque de desespero, a jovem virou-se e golpeou o demônio com um soco no estômago. Reabriu os olhos e viu, contorcendo-se de dor no chão, não um espírito maligno, mas Hiroshi.

-Ah, yabai!!! Hiro-kun, gomen!!!

-Não basta…levar uma bolada no meio da cara…agora…levo um soco… – disse rolando de dor.

-Hiro-kun! O que acont…Ué? Hikari? – Sora apareceu de dentro do ginásio.

Com todos reunidos de volta no ginásio – e Hiroshi consciente -, os membros do clube contavam o que tinham conseguido na ronda sobrenatural.

-Nada… – começou Yumi.

-Idem… – continuou Kai.

-Eu tirei uma foto!

-Se for falar da maldita Árvore Sangrenta, eu juro que v… – Yumi foi interrompida por Kai.

-E você Hika-chan? Com certeza encontrou alguma coisa que a deixou apavorada. Tenho certeza que não queria machucar o líder…né? Pelo menos não tanto quanto a Yumi-chan.

-É! É bom ter uma boa desculpa! – gritou Hiroshi.

Hikari olhou para os amigos, que olhavam fixamente para ela. Não sabia o porquê, mas estava em dúvida se devia contar o que vira. Respirou fundo e começou.

-Eu…vi uma sombra perto da estufa. Não sei direito o que era, mas acho que acabei me assustando por nada. – disse tentando controlar o choro.

-Tem certeza que foi só isso? – perguntou Sora preocupado.

Hikari fez que sim com a cabeça e desviou o olhar. Estava claro que ela escondia alguma coisa. Mesmo assim, resolveram deixar de lado e fingir que aquela era a verdade, pelo menos por enquanto.

-Acho que tivemos um dia cheio. Por que não voltamos pra casa e retomamos na próxima reunião? – sugeriu Kai.

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Devil’s Bride – part 2

Posted: 2011.Setembro.9. in Devil's Bride
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-Hika-chan! – ouviu alguém chama-la.

Levantou a cabeça da mesa e viu Hiroshi olhando para ela.

-Você é uma preguiçosa! Como pôde abandonar o clube enquanto ainda estávamos em reunião? – gritou Hiroshi indignado.

-Hiro-kun, pode parar de fazer escândalo? Não consegui dormir direito ontem.

-Bem feito! Se tivesse ficado conosco, hoje estaria na maior pilha!

-Por quê? Aconteceu alguma coisa? – perguntou, não parecendo muito interessada, apesar de estar.

-Logo depois que você fugiu, ouvimos sons estranhos vindos do lado de fora. Quando saímos vimos sombras correndo de um lado pro outro…

-Coelhos, talvez. – disse a jovem, perdendo um pouco do interesse pela história.

-Cogitamos a ideia, mas nos lembramos que não há coelhos por aqui. Continuando…nos aproximamos, mas elas desapareceram, deixando no chão…adivinha!? Adivinha!? ADIVINHA?!!! – fez uma pausa, mas continuou percebendo que a amiga não iria dizer nada – Marcas!!!

-Isso…era pra me deixar admirada?

-O q…voc…como…ARGH!!! – o garoto fez uma careta, virou-se e saiu andando, atropelando quem ficasse em seu caminho.

-Hika-chan, não faz isso com o Hiro-kun. – disse Kai, tentando esconder um sorriso maldoso – Sabe que ele tem ataques maníacos com relação ao sobrenatural, em especial, pegadas. Não entendo por quê…

-Gomen! Não farei de novo.

Olhou pela janela e avistou o grande relógio.

-Kai-kun! Você já reparou que existe uma estátua ao lado do grande relógio? – perguntou animada, lembrando-se da noite anterior.

-Estátua? Não há nada ao lado do relógio, pelo que eu sei. – respondeu intrigado – Talvez eu não tenha reparado.

-Ou talvez eu estivesse com sono e acabei vendo coisas…

Hikari sorriu, mas algo lhe dizia que não foi bem isso que aconteceu.

O sinal da última aula tocou, todos se levantaram e correram para fora da escola. Os cinco membros do clube de investigação sobrenatural iam juntos para casa. Quando estavam próximos do portão, Hikari olhou para o grande relógio. A estátua estava lá.

Como no dia anterior estava escuro, não pode vê-la em detalhes. Era, em sua maioria, escura, exceto pelos olhos, que emitiam uma luz avermelhada, e pelos cabelos prateados, que pareciam se agitar com o vento. Vestia uma longa capa, um casaco e botas cheios de fivelas, uma calça com rasgos aqui e ali, e uma máscara que cobria seu rosto do pescoço ao nariz. Por que alguém escolheria uma estátua tão…estranha? Poderia até ser uma gárgula, qualquer coisa mais comum de se ver no alto de construções, mas tiveram que escolher aquilo?

-Kai, olha ali! – disse apontando para a estátua.

O jovem se virou e sorriu para ela.

-Como eu pensei. Não há estátua ali, né!

-Eh?

Hikari olhou novamente. A figura havia desaparecido. Não era possível que tivesse imaginado tudo aquilo. Ou era? Virou-se para o colega e concordou, ainda confusa e um pouco amedrontada.

-Ei, vocês dois!!! Vamos logo! Ainda temos que pensar no que fazer pra tirar uma boa fotografia da Árvore Sangrenta na sexta! – gritou Sora.

-Já disse que não vamos publicar essa baboseira! – repreendeu-o Yumi.

Hikari se juntou ao grupo, mas deu uma última olhada para o relógio, na esperança de ver a estátua…ou o que quer que fosse aquilo.

Devil’s Bride

Posted: 2011.Setembro.6. in Devil's Bride
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O colégio Kamikaze fica um tanto quanto deserto nas sextas a noite. Além de alguns professores em reunião e seguranças, apenas um clube tem suas atividades no período noturno. O clube de investigação sobrenatural, formado por alunos do 1-D, realiza rondas semanais pelo terreno do colégio à procura de qualquer atividade fora do normal.

Estavam reunidos no ginásio, sentados em roda, olhando um mapa dos arredores e uma cópia do Kamikaze’s Supernatural News, um jornal independente que falava de lendas fantasmagóricas da região.

-Essa edição não fala muito de lendas do nosso colégio. Na verdade, há poucas lendas que podemos investigar. – reclamou Hiroshi, o líder do clube, arrumando seus óculos.

-Às vezes me pergunto por que começamos esse clube. Ninguém acredita no que dizemos. – constatou Yumi, a vice-líder, enrolando uma mecha de cabelo nos dedos.

-Mas não podemos parar agora! Estamos tão perto de conseguir uma foto da Árvore Sangrenta!!! – chorou Sora, agarrando-se ao braço de Yumi.

-O que acha, Hika-chan? – perguntou Kai, deitando-se no chão.

Hikari desviou o olhar da janela e se juntou ao grupo.

-Acho que devemos continuar na semana que vem. Está ficando tarde, e aparentemente não vamos chegar a lugar algum. – disse, arrumando suas coisas.

-Você não nos ajudou em nada! – gritou o líder.

-Por que não pensamos em casa e durante a semana, e na próxima sexta apresentamos nossas ideias? – Hikari sugeriu.

-Não acho que…

-Otsukaresama deshita! I-te-ki-masu!

Hikari saiu pela porta, mesmo ouvindo protestos de Hiroshi.

Havia se tornado parte do grupo porque Kai dissera que, se não tivessem pelo menos cinco membros, o clube fecharia. Até que estava gostando daquela vida de detetive sobrenatural, mas muitas vezes queria estar em outro lugar.

A parte leste da escola era um lugar tenebroso à noite. As árvores, que de dia eram verdes e belas, pareciam criaturas de longos braços que, a qualquer momento, agarrariam e devorariam quem se aproximasse. Além disso, havia relatos de alunos que ficaram loucos após ouvirem estranhos sons, como choros e risadas vindas do bosque.

Sacudiu a cabeça. Era evidente que estava passando tempo demais no clube de investigação sobrenatural. Olhou para o alto do prédio central e para o grande relógio. Já era quase meia-noite. Pensou se realmente valia a pena ser parte daquele bando de malucos, mas esse pensamento logo se foi quando notou uma figura logo ao lado dos números três e quatro. Ela sempre esteve ali?

Olhou mais uma vez para as árvores e estremeceu. Virou-se e começou a caminhar em direção aos portões, com a estranha sensação de estar sendo observada.

Yo, minna-san!!!

Depois de um bom tempo sem postar algo aqui, trago-lhes uma parte, a primeira parte, de uma das muitas e inacabadas histórias que vagueiam pela minha mente.

Chama Devil’s Bride e talvez já dê pra saber do que se trata…ou não, né…

Anyway…jya ne~!