Class 1 – 合いたかった!

Pelas ruas da cidade, um vulto passava veloz por entre as pessoas.

Com todas as suas forças Minami sorria enquanto pedalava rumo ao topo da colina. Quanto mais alto, mais o vento soprava, forte e gelado. Mesmo assim, a jovem não fraquejava, continuava a subida, determinada. Mais determinada do que em qualquer outro momento de sua vida.

Durante a corrida contra o tempo, lembrava-se dos acontecimentos que a levaram àquele momento…

“Mii-chan!”

Minami desviou o olhar das cerejeiras no jardim e virou-se para saber quem havia lhe chamado.

“Mii-chan, o professor está falando com você!”, Haruna sussurrou.

Levantou-se em um salto. Kawahara-sensei a repreendeu com o olhar.

“Eh…Minegishi-san, como representante de sala, deveria ter mais atenção!”, disse sem levantar a voz.

“Sumimasen…”

“Minegishi-san, poderia mostrar a escola para o novo aluno depois da aula?”

“Novo…aluno?”

“Nakagawa Kaname to mou shimasu. Yoroshiku onegai shimasu.”, disse o garoto parado ao lado do professor.

“Y…yoroshiku!”

“Tudo bem. Seu lugar é na carteira ao lado de Itano-san.”

“Arigatou.”

Minami sentou-se e afundou na cadeira.

Quando o sinal tocou, o professor chamou Minami à sua mesa.

“Eh…Minegishi-san, Nakagawa-san só vai ficar conosco até as férias de verão, portanto faça-o se sentir em casa. Não queremos que ele vá embora sem boas memórias, não é?”

“Hai! Ganbarimasu!”, Minami disse sorrindo.

Dito isso, foi encontrar Kaname no corredor.

“Está atrasada.”

“Eh? Anno…eu…sumimasen…”

“Odeio gente como você.”, disse e saiu andando.

“Eh?”, Minami ficou paralisada por alguns segundos sem saber o que fazer ou falar. “O que você–”

“Sumimasen! Sumimasen! É tudo que diz. Pra qualquer coisa. Assim parece até que não tem personalidade, só vive se escondendo na própria sombra! Não quero alguém assim perto de mim. Eu posso explorar a escola sozinho.”

Kaname continuou andando até desaparecer entre os alunos.

Minami correu para o jardim, com lágrimas prestes a escorrer por seu rosto. Quando se sentou sob a sombra de uma das cerejeiras, não conseguiu mais se segurar. Não sabia exatamente por que estava chorando: se era pelo que Kaname havia dito, ou por que, de alguma forma, ela sabia que ele estava certo.

“Minami-chan? O que está fazendo aqui?”

Minami limpou as lágrimas com um lenço e olhou para cima. Mari estava sentada em um dos galhos da árvore. Saltou e caiu ao lado da amiga.

“Mari-chan…”

“Ah! Por que você tá chorando? Quem foi? Pode falar que eu arrebento com–”

“Não foi nada!”

“Hm…nunca vi alguém assim por nada.”, Mari sentou e olhou para o céu “Sabe, você pode ficar aí chorando ou pode resolver tudo isso de uma vez, ne?”

“Eh? Você–”

“Não sei de nada, mas ele não parece ser o tipo de pessoa que diria isso a alguém que acabou de conhecer.”, Mari sorriu “Bom, já vou indo!”

Minami ficou sentada. As pétalas da cerejeira começaram a voar com o vento. Ela olhou para o céu e respirou fundo.

No dia seguinte, no final das aulas…

“Eh…Minegishi-san, Nakagawa-san. Hoje vocês são os responsáveis pela limpeza da sala. Yoroshiku, ne! Mata ashita.”

Minami suspirou e olhou para Kaname, que começara a empilhar as carteiras, levantou-se e bateu a mão na que o garoto estava prestes a levantar.

“Algo errado?”

Minami não conseguiu falar nada.

“Você pode–”

“Quem você acha que é pra falar aquilo? Qual é o seu problema? Eu só estava tentando ser gentil, tentando fazer você se sentir bem por estar em uma escola diferente! Não abaixo a cabeça pra tudo que me pedem, tá!!! Eu gosto de ajudar as pessoas, só isso! Mas não importa o que você fale,  até você ir embora, nas férias de verão, vou fazer você ver os lugares mais bonitos dessa cidade! Não vou quebrar a promessa que fiz a Kawahara-sensei!”

“Do que você tá falando?”

“Eh? Do que você disse pra mim no primeiro dia de aula!”

“Ah! Aquilo? Você levou a sério? Baka.”

“O q–”

“E aí? Qual o primeiro lugar nesse seu roteiro turístico? Estou tão animado!”

Minami, após ficar parada por alguns segundos, deu um pisão no pé do garoto e saiu correndo.

“Ei!!! O que foi? Chotto matte!!! Itai!”, Kaname sentou em uma cadeira “Qual é o problema dessa garota?”

Todos estavam reunidos no pátio, ouvindo o discurso de Kawahara-sensei.

“Eh…e com isso damos início às férias de verão.”

Gritos de alegria explodiram por todos os lados.

Minami estava sentada conversando com Haruna e Tomomi.

“Mii-chan, olha.”, Tomomi disse apontando para Kaname que acabara de passar por elas.

O garoto sentiu olhares sobre ele, mas foi apressado sentar-se em um banco. De onde estavam, as três só conseguiam ver as costas do jovem, mas percebiam que parecia incomodado.

“Parece que ele tá sentindo um peso na consciência, ne~?”, brincou Tomomi.

“Por que não vai falar com ele, Mii-chan?”, sugeriu Haruna.

Minami não disse nada, só continuou olhando para Kaname. Respirou fundo e, quando ia se levantar, surpreendeu-se ao vê-lo fazer o mesmo. Sentou-se novamente e esperou para ver o que ele iria fazer.

“Oh! Ele tá vindo pra cá!”

Haruna e Tomomi fingiram que não estavam nem aí [olharam para cima com cara de “nem sei o que tá acontecendo]. Kaname se aproximou do grupo.

“…Minami-san…”

“Quer alguma coisa?”, perguntou Tomomi.

“Eu…eu…só…”

“Se não é nada–”

“Gomen, Minami-san!”, ele finalmente gritou.

Haruna e Tomomi se entreolharam e deram uma cotovelada nada sutil em Minami.

“Gomen, ne…Eu…eu não sei por que eu falei aquelas coisas…acho que é só um jeito de me proteger…”

Minami continuou ignorando.

“Ah! Minami-san, como pedido de desculpas, deixe-me mostrar o meu lugar preferido aqui na cidade!”

“…”

“É realmente bonito! Tenho certeza que você vai gostar!”

“Obrigada, mas–”, Minami foi interrompida pelas mãos de Haruna.

“É claro que ela vai!”, disse, empurrando a amiga e o garoto para fora da escola.

“Haruna! Yamette yo!!!”

“Divirtam-se e não ouse voltar, Minami! Jya ne!”

A porta se fechou.

“Haruna…”

“Gomen…hontou ni…”

“Olha só. Parece que os papéis se inverteram!”, ela disse com um sorriso.

“Eh?”

“Então, nós vamos ou não?”

“Majide?”

“Bom…aparentemente não posso voltar, a não ser que queira entrar em coma, então é a única opção…”

Kaname riu. Minami não percebeu, mas também sorriu.

“Ikuze!”

Os dois subiram em suas bicicletas e partiram.

Pedalaram pela cidade até alcançarem uma colina. Durante a subida, Minami sentia a gentil brisa acariciar seu rosto, enquanto ouvia o canto de pássaros e sentia o aroma das flores. Olhou para cima e viu a luz do sol por entre as árvores. Não pôde evitar um sorriso.

Pararam em frente a uma grande pedra. Desceram das bicicletas e começaram a escalar um paredão.

“Você não disse nada sobre escalar!!!”

“Não se preocupe, vai valer a pena!”

Continuaram subindo até chegar ao topo. Minami olhou para suas roupas. Todas sujas de terra e suor.

“Minha mãe vai me matar quando vir isso…”

“Vamos!”

Minami seguiu o garoto por mais alguns metros. Em certo ponto da caminhada, teve que cobrir os olhos com as mãos por causa da luz do sol, que a atingiu de repente.

“Contemple!”, ouviu-o falar.

Aos poucos, abriu os olhos e se acostumou com a claridade.

“Ah! Suteki!!!”, exclamou

“Bem-vinda ao meu jardim secreto!”

Minami não conseguiu falar mais nada, apenas continuou a olhar aquele maravilhoso lugar.

Uma grande clareira, cercada por grandes árvores coloridas. Próximo de onde estava, um pequeno lago brilhava sob a luz do sol e um pouco mais a frente, depois de um emaranhado de arbustos, o grande oceano podia ser visto em toda sua majestade.

Minami não conseguia parar de sorrir. Kaname sentou-se em um bloco de pedra que servia de banco, acompanhado da jovem.

“Descobri esse lugar quando fugi de casa.”

“Fugiu?”

“Meus pais estavam sempre brigando e eu não queria mais ouvir aquilo. Saí correndo e vim para aqui.”

“Então…você morou por aqui?”

“É. Mas tive que me mudar. Depois do divórcio, meus pais me disseram para escolher com quem queria morar. Eu disse que se não fosse com os dois, não ficaria com nenhum. Aí, corri pra casa da baa-chan, que é onde estou agora. Não sei se foi a coisa certa a se fazer. Só queria que nada disso tivesse acontecido…”

“Ne…gomen.”

“Por quê?”

“Eu te julguei mal…achei que era um daqueles riquinhos de nariz empinado…”

“É, já ouvi essa muitas vezes…”

“Arigatou.”

” ? “

“Por me mostrar esse lugar. Parece que estando aqui, todos os meus problemas desaparecem.”

“Eu senti saudades. Fiquei fora por um bom tempo. Sabe, nunca contei sobre esse lugar a ninguém.”

“Sério? O que te levou a mostrá-lo para mim?”

“…shiranai.”

Conversaram por um longo tempo, e quando perceberam o sol já estava se pondo.

Os dias se passaram, e Kaname se enturmava cada vez mais com os colegas de classe, saindo para karaokês, parques de diversão e para a casa de praia de Yusuke.

Logo, as férias chegaram ao fim…

“Eh…minna-san…hoje recomeçamos as aulas, mas…eh…temos de nos despedir de Nakagawa-san. Como havia dito, ele só ficaria conosco até as férias de verão acabarem. Por favor, Nakagawa-san, se tiver algo a dizer…”

Kaname deu um passo para frente e olhou para a turma.

“Arigatou ne, minna! Graças a vocês, pude me divertir bastante nesses meses. Fiquei muito feliz de conhecer todos. Arigatou!”

Quando ele terminou, todos levantaram para se despedir do colega. Minami olhou aquela cena com um certo aperto no coração.

“Por que estou me sentindo assim?”, perguntou a si mesma.

Kaname se aproximou da jovem, que olhou para ele com um pequeno sorriso triste em seus lábios.

“Arigatou, Minami-san. Sayonara.”, ele disse e foi embora sem olhar para trás.

“Sayo…nara.”

“Ne…Mii-chan…está tudo bem assim?”, perguntou Mari.

“Eh?”

“Deixar ele ir sem dizer nada.”

“Do que vocês estão falando? Eu disse sayonara.”

“Mii-chan, para. Você sabe do que estamos falando.”, continuou Tomomi.

“Não, eu não sei! Querem parar de fingir que sabem o que eu sinto!”

“Tudo bem. Não vamos mais falar nada. Faça o que quiser, mas não vá se arrepender depois.”, Haruna disse.

As três saíram da sala. Minami olhou pela janela e respirou fundo.

“Ne…será que fomos muito duras com ela?”, perguntou Tomomi.

“Iie. Ela é forte. Além disso, sabe exatamente o que seu coração sente.”, disse Mari.

De repente, um vulto passou por elas como um furacão.

“EH? O que foi isso?”, assustou-se Haruna.

“愛 [Ai]“, riu Mari.

Pelas ruas da cidade, um vulto passava veloz por entre as pessoas.

Com todas as suas forças Minami sorria enquanto pedalava rumo ao topo da colina. Quanto mais alto, mais o vento soprava, forte e gelado. Mesmo assim, a jovem não fraquejava, continuava a subida, determinada. Mais determinada do que em qualquer outro momento de sua vida.

Se isto que sinto é amor, vou gritar do fundo dos meus pulmões.

Arigatou, minna. Vocês me fizeram abrir os olhos.

Finalmente percebi meus verdadeiros setimentos.

Mesmo que algo ruim aconteça, não quero me arrepender de nada.

Quero vê-lo. Quero muito vê-lo!

Neste momento, quero vê-lo mais do que qualquer coisa.

Minami pedalou e escalou, determinada, mas com medo de ser tarde demais.

Correu por entre as árvores e chegou ao jardim.

“Kaname…”

A lua começara a surgir no céu, e o coração da jovem estava se despedaçando lentamente. Caminhou para fora da clareira, onde podia ver o oceano, iluminado pela luz prateada. Sentou-se no banco de pedra e começou a chorar.

“Kaname…”

“Por que está chorando?”

“Por que eu demorei demais para perceber que–”

Minami levantou-se, assustada e feliz ao mesmo tempo.

“Perceber o quê?”

“…大好き! [daisuki!]“, ela gritou “大好きだよ! [daisukidayo!]“

Kaname sorriu e a abraçou.

“Mesmo que não sinta o mesmo por mim, eu–”

“君が大好き. [Kimi ga daisuki.]“

“Eh?”

Kaname deu um sorriso envergonhado.

“Não me faz repetir. Eu não vou conseguir repetir agora.”

Minami riu. Kaname se aproximou e beijou-a. Sorriram e olharam para a lua, que parecia mais brilhante do que antes.

Prometa que vai voltar…

Um ano se passou…

“Eh…hoje, oficialmente, reiniciamos as aulas. Primeiramente…”

Minami estava ouvindo Kawahara-sensei quando Haruna a chamou.

“Mii-chan. Mite!”, a jovem disse, apontando para o jardim.

Minami olhou e sorriu. Levantou-se e correu para a porta.

“Oh! Minegishi-san, onde você pensa que vai?!!!”, gritou Kawahara-sensei.

Mas a garota não ouviu. Não ouviu mais nada, apenas uma alegre música em sua cabeça.

Ao chegar no jardim, correu para a cerejeira onde vira Kaname, mas ele não estava ali. No lugar, encontrou apenas um bilhete.

僕たちの秘密 [Bokutachi no Himitsu]

“Minegishi-san! Volte já para a sala!”, Kawahara-sensei gritava pela janela.

Minami não hesitou. Subiu em sua bicicleta e pedalou o mais rápido que conseguiu em direção à colina com um único pensamento:

“会いたかった!”

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